segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O dia ficou sem harmonia




Pra falar a verdade tenho achado que está tudo bem quando não está. Existem milhões de maneiras de se enganar, e jogar a realidade para planos futuros é uma delas. Será que a crise dos 30 se estende até os 40? Ou será que aos 40 já viramos dinossauros saudosistas?


No trânsito, parado no sinal, o rapaz de camiseta-abadá e boné de loja de tintas me oferecia através do vidro um Brasileirinhas qualquer com uma raba bem photoshopada. Ali, sem pensar em nada e achando tudo normal, percebi que tudo se acalmou novamente, escorregou para o comodismo e a preguiça de soltar sobre barreiras. No carro e a intenção do ar-condicionado era boa, mas Belém não ajuda. Neil Young no som procurando um rio para mijar e eu um buraco para comprar uma coca-cola antes de chegar ao trabalho.


Parei o carro e entrei no que parecia uma simples lan house, e logo de cara vi que o dono era um bróder da minha idade que estudou comigo no colégio. Nunca nos falamos e sequer sei o nome dele e ele o meu. Mas era um moleque eu, gratuitamente, ia com a cara. Talvez por ser na dele, de poucos amigos, assim como eu – eu era um weirdo no segundo grau.


Ele estava lá num computador, mandou o filho pegar um refrigerante de 600 ml lá dentro, enquanto a esposa estava sentada ao lado fazendo contas e discutindo assuntos domésticos com ele. Do lado de fora, o carro dele me deu uma certa inveja. Era um desses japoneses importados velhacos caindo aos pedaços. Desde o Uruguai que tenho fixação por carros assim. Na piedade em vão que fiz sobre o cara, tentei ver achar que ele levava uma vida legal, apesar de tudo. E tentei me dar uma chance e achar que nem tudo estava tão ruim, só era hora de começar algo novo. Ou investir mais nos velhos planos. E que a hora seja essa.


Um comentário:

Didi Fadul disse...

Alguém já comentou comigo certa vez que você era no Ideal o que eu era na minha escola.

Acho que essas coisas nunca deixam a gente por completo.