segunda-feira, 9 de abril de 2012

The great Gal in the sky

Gal Costa aponta para o céu e interpreta, como a rainha que é, o refrão de Força estranha, do bróder Caê - e para sempre do Rei. A linda manhã de domingo no Parque da Juventude, ao lado da Estação Carandiru, em São Paulo, trazia uma cantora renovada, com outro fôlego, com doses de simpatia sem exagero e com um público de senhores, senhoras, jovens, gays e nóias, todos na palma de sua mão.

“Por isso é que eu canto, não posso parar...”, era um recado, que já havia sido dado em 1979. E entre tudo que a consagrou uma das maiores cantoras do Brasil, os anos recentes a deixaram ali, na prateleira, até vir o mano Caetano de novo e chamá-la novamente – a quem ele se refere como sua intérprete favorita, cagando e andando pra irmã Bethânia. Veio Recanto, disco recém-lançado que foi um tremendo insight de produtor, trazendo uma carga de renovação ao canto feminino ainda vivo mais verdadeiro desse país.


Tô aqui, Gal! Lheeenda!

O palco de fundo vazado, sem a iluminação de um show noturno, trazia uma Gal Costa serena, sentada em um banco e acompanhada de uma banda nova, composta por Domenico Lancelloti, Pedro Baby (o orgulho do Pepeu) e Bruno Di Lulo. O começo do show já traz a belíssima Recanto escuro, faixa de abertura do último disco, elogiado e listado entre os melhores de 2011: “Não salto mas sou carregada por asas que a gente não tem. A luz não me fulmina os olhos, nem vejo bem”.  E então depois da abertura MPB, o roadie vem e afasta o banquinho. E então Gal mostra que é a mãe do rock.

Que Rita Lee que nada. A ousadia rock ‘n’ roll está em trocar de estilo, se reinventar, acrescentar noise, solos de guitarra, groove box e acordes sombrios. Teve Neguinho, Vapor barato, Miami maculelê e a estranhíssima Cara do mundo. E claro que não faltou Folhetim, Me bem meu mal e uma bela tirada de onda com Um dia de domingo, em que ela fazia um dueto seu com uma imitação (sua) de Tim Maia.

Cool jazz me faz feliz e só, não tenho jeito

Depois que uma nova geração apareceu mostrando um sopro de originalidade e renovação na música brasileira, como Tulipa Ruiz e Céu, a veterana Gal retomou a parada e mostrou que é tão foda quanto. Isso, é claro, com uma ajudinha de Caetano, Moreno e Kassin.

Vim a São Paulo exclusivamente para o Lollapalooza, mas Gal me roubou a atenção. Assistir a shows inesquecíveis como Thievery Corporation, Gogol Bordelo, Band of Horses, TV On The Radio e Jane’s Addiction. Mas minha promessa nesse blog é só escrever sobre algo que realmente me causou algo relevante. E Gal Costa tocou fundo.



2 comentários:

Fran Micheli disse...

Este foi o primeiro comentário sensato que eu li sobre o festival. =)

Fran Micheli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.