sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os melhores de 2008


Nos anos anteriores publicava minhas listas dos melhores do ano na finada coluna Rocktopia, que mantive por quase três anos às segundas-feiras no Diário do Pará. A maioria dos “melhores” ia anotando ao longo do ano. Mas agora, como 2008 foi um ano bom pra caralho, não tive paciência para as anotações e sai cobrando da memória nos últimos dias.


[Aliás, não consigo nem começar um texto sobre 2008 para postar aqui nessa joça, de tão bom que foi esse ano – só falta eu estar comemorando antecipadamente e me acontecer uma grande merda agora.]


Listo abaixo os filmes, discos, músicas que marcaram por sua qualidade ou mau gosto. Mais uma vez tenho que explicar que não peço pra ninguém concordar, é gosto pessoal e falo isso pra me amostrar.



MELHORES DISCOS NACIONAIS



Japan Pop Show – Curumim: Só em 2008 vi quatro shows do mano Curuma: Studio SP (São Paulo), Bananada (Goiânia), Mada (Natal) e no Se Rasgum (Belém). Esse ano, definitivamente, foi o ano do Curumin.


Charque Side of The MoonLa Pupuña: Idéia de Félix, guitarrista e vocalista da banda, que antecipou o “Dub Side of The Moon”, mas foi gravado somente depois. Seu formato está disponível apenas pela internet.


2 - Tom Bloch: Disco com conceito, moderno e cheio de letras boas. Lariú chamou de rock literário, não sei se concordo, mas sei que a dupla Pedro Veríssimo e Iuri Freiberger estão bem acima da média indie nacional.


Terceiro Mundo Festivo – Wado: Quarto álbum do Oswaldo, um loirinho magro que tem uma voz foda e umas composições de dar inveja. O disco (totalmente disponibilizado no site do cara) traz referências aos estilos musicais espalhados pelas periferias do Planeta.


Mallu Magalhães - Mallu Magalhães: Foda-se, curti muito o trabalho da adolescente que os espertinhos adoram odiar. Mário Caldatto conseguiu deixar as músicas de Mallu com o gás folk que ela pretendia. Vi dois shows da barbudinha e percebi a evolução com os poucos meses que separaram as duas apresentações.



MELHOR DISCO GRINGO



Black Ice – AC/DC: Os mesmos riffs, solos, voz e temáticas rock ‘n’ roll permeiam o último trabalho do AC/DC. Tudo bem, nenhuma novidade. Mas quem precisa disso quando se trata da maior banda de rock de todos os tempos? E nada melhor do que abrir um disco com o single Rock ‘n’ roll train.


Dear Science - TV On The Radio: Legalzão porque é feito por uns negões de Nova York que não tem medo de arriscar e soam cada vez mais modernos, brincando com esse conceito de ciência, tecnologia e os caralho.


Partie Traumatic - Black Kids: Não conhecia e jamais saberia da existência se não fosse um amigo meu (fã de My Bloody Valentine) ter indicado. Banda americana legalzinha que, se bobear, ficará esquecida nos próximos meses, apesar do disco agradável.


Dig Out Your Souls – Oasis: Na moral, fã de Oasis sempre acha o ultimo álbum o melhor. Ouvi algumas vezes para ter certeza de que era um dos álbuns do ano e de que eles jamais farão alguma coisa como Defintely maybe e What’s the story (morning glory).


Vampire Weekend - Vampire Weekend: Bom porque foge da indiezada que vem de fora que faz tudo igual e parece tudo a mesma merda. Música legal e pra dançar.



MÚSICA NACIONAL



Pareço moderno – Cérebro Eletrônico: Refrão que dá nome ao segundo disco do Cérebro Eletrônico e gruda de primeira. Grande aposta paralela (e mais antiga) de Tatá Aeroplano e sua turma do Jumbo Elektro.


Melô da considerada - DJ Konsiderado: Ta demorando para sair, mas não falta muito. O maior fenômeno do próximo ano é de Belém do Pará e atende pela alcunha alto-elogiosa de DJ Konsiderado, que faz uma mistura de technobrega com umas pegadas modernas.


Aonde quer chegar – Moptop: O segundo disco do Moptop mostra que moçada sabe onde está pisando. A música “Aonde quer chegar” é a prova disso. Viciei na música assim que a escutei.


Pepeu baixou em mim – Do Amor: Hit em todos os festivais independentes de 2008, a música presta uma homenagem à guitarra baiana de Pepeu Gomes. Ainda bem que o Do Amor surgiu no cenário para dar uma bicuda na mesmice do indie nacional.


Vida boa não é vida ganha – Beto Só: Recebi o segundo disco do Beto Só na hora que saiu da fábrica. Havia acabado de ver um show dele em Brasília e a caixa chegou na hora. Fernando Rosa abriu e me deu logo um. Escutei bastante a música no ônibus que me levou de Montevidéu a Porto Alegre, em junho desse ano.



MÚSICA GRINGA



Left behind – Cansei de Ser Sexy: Vamos lá, não dá pra considerar mais música nacional, né? Depois de mudar pra gringa e aprimorar no inglês, CSS é rock pra inglês ver e brasileiro se gabar.


Nine in the afternoon - Panic At The Disco: Eu sei, é emo. O clipe é legal e a música idem. Demorei a crer que o disco era bom depois que o amigo Léo Aquino indicou. O disco é meia boca, mas essa música vende a parada.


Rock ‘n’ roll train – AC/DC: Refrão com cheiro de camisa preta suada com copo de cerveja na mão. AC/DC sabe ser Deus (e o diabo) sem perder a pose.


Me hace Bien me hace mal – El Cuarteto de Nos: O disco não é de 2008, mas foi uma das músicas mais executadas no meu CD-Player (sou old school).


Elephant Gun – Beirut: Som gente boa que fui obrigado a gostar por causa da coleguinha de trabalho Luly, que se viciou em Capitu e fez a gente escutar, pelo menos, 14 vezes por dia.



MELHORES SHOWS INTERNACIONAIS DE 2008



Shout Out Louds no III Festival Se Rasgum – A banda sueca foi a única atração internacional de 2008 do festival paraense, que surgiu como uma grande surpresa para os fãs de The Cure dos anos 90.


Josh Rouse no MADA – Sonzão pra cima e para fãs de Wilco. Tenho dois CDs de Josh Rouse e confesso que ele foi o principal motivo de me fazer ir a Natal assistir mais uma vez ao Festival MADA.


Skatalites no Inferno (SP) – O verdadeiro ska jamaicano de uma das mais lendárias bandas de ska em atividade. Showzão quente e com cheiro forte de marijuana pelo ambiente hard da Augusta.


Buitres em Montevidéu – Uma das maiores bandas uruguaias de punk rock levou homens, mulheres e crianças para um showzaço com mais de 10 mil pessoas no bairro de Prado, um dos mais bonitos da capital uruguaia.


Jesus and Mary Chain no Planeta Terra – Não fui e daria um dedo pra voltar no tempo e poder ver o que conferi ao vivo na transmissão pela internet. A banda continua com fôlego e menos tímida em cima do palco. Jesus and Mary Chain sempre foi uma das minhas bandas favoritas, e aquele show no Planeta Terra foi um desfile das melhores músicas dos irmãos Reid.



MELHORES SHOWS NACIONAIS



Wado (III Festival Se Rasgum, em Belém): O alagoano era promessa antiga pra tocar em Belém. Chegou com vontade de mostrar seu som e fez, na minha opinião, o melhor show do festival.


Curumin (Festival Bananada, em Goiânia): Chapadão, Curumin chegou ao palco saudando o “Festival Goiânia Noise”, e corrigiu o erro fazendo um dos melhores shows do ano.


Lendário Chucrobillyman (Festa “This Is Radio Trash”, em Belém): Caboco sozinho toca bateria, guitarra, canta e sopra um brinquedo que simula um sax. Teve nêgo engraçadinho que disse que ouviu, além de todos os instrumentos, um apito, mas ninguém o viu soprando nada pela boca.


Velhas Virgens (Casa Brasil, em Belo Horizonte): Cenário trash cheio de camiseta preta, fãs de Matanza e buchudinhas. Chão grudento de vômito e raríssimas mulheres no recinto. Paulão e sua turma sabem domar esse público e fazer um show verdadeiramente rock ‘n’ roll.


Lunares (MADA, em Natal): Trio de Natal de moleques de 20 anos, com um pé no rock inglês, letras legais e show seguro. O efeito surpresa da apresentação fez com que esse fosse um dos melhores shows que assisti em 2008. São poucas as bandas que metem a cara para mostrar sua música de maneira tão segura.


MELHORES FILMES




Na natureza selvagem – Sean Penn é um gênio sim. Nunca vi um filme ruim dirigido por ele. Teve a sensibilidade necessária para transformar em filme a história real de um hipponga CDF que gira os Estados Unidos numa espécie de protesto contra os valores assumidos pela sociedade e se entrega à natureza em sua forma mais primitiva.


Antes que o diabo saiba que você está morto – Um filme que abre com a Marisa Tomei numa selvageria na cama merece estar entre os melhores de 2008. Ah, a trama que envolve a crise entre Ethan Hawkee Phillip Seymour Hoffman também é eletrizante nesse filme que marca a volta de Sidney Lumet.


Once – Um ex-integrante da banda The Frames, chamado John Carney, teve a idéia de rodar um longa irlandês sobre um músico de rua que se apaixona por uma vendedora de flores. Para isso ele chamou Glen Hansard, vocalista e guitarrista da banda, para ser o protagonista. O resultado foi um filme honesto e comovente.


Onde os fracos não tem vez – Os irmãos Cohen nunca erraram. Até os filmes meia-boca são bons. Mas acho que foi em Onde os fracos não tem vez que eles chegaram ao ápice de duas carreiras.


Irina Palm – Comédia dramática inglesa sobre uma coroa (Marianne Faithful) que para pagar um tratamento ao neto descobre sua virtude num club para homens: bater uma bronha pra moçada atrás de uma parede, onde havia um buraco para o cliente colocava só a benga. Filmaço com ar sério e sacadas geniais de humor.



MELHORES FILMES NACIONAIS (OU QUASE NACIONAIS)




Nossas vidas não cabem num Opala – Tem Paulo César Pereio no elenco, uma porrada de Opala lindo e é adaptação da peça do Mário Bortoloto,ou seja, fórmula perfeita para o sucesso. O filme só não é legal para aquele público que acha que cinema brasileiro tem que ser sempre o novo Cidade de Deus.


Se nada mais der certo – Cauã Reymond é uma bosta de ator, mas bem dirigido - e ao lado do João Miguel - até passa. O filme é um policialzão sobre um jornalista que só se mete em merda tentando ajudar sua namorada viciada em pó.


Estômago – E lá vem o João Miguel, o José Dummont da nova geração, no papel de um nordestino fudido que vai pra São Paulo tentar tirar o pé da lama. Sistema carcerário, peitos, cozinha, violência e são os ingredientes de uma das comédias mais divertidas do ano.


O banheiro do papa – Beleza, o filme é uruguaio. Mas o diretor a produção é do Fernando Meirelles e se passa na cidadela de Melo, próxima à fronteira com o Rio Grande do Sul. História legal, atores bons e finalzão que dá vontade de ligar pro CVV.


Ensaio sobre a cegueira – Tá, de novo, mas foda-se. O filme é dirigido pelo Nandão, a maioria das cenas foram rodadas em São Paulo e é o Brasil chegando lá mais uma vez através de um diretor talentoso. Ensaio sobre a cegueira é tão bom que quase dá para sentir o cheiro da cegueirada trancafiada numa espécie de sanatório.



FILMES LEGAIS QUE NÃO VI




Rock ‘n’ Rolla – A volta de Guy Ritchie após afundar sua carreira no casamento com a Madonna.


Queime depois de ler – Ethan e Joel Coen atacando de novo em enredo pitoresco com George Clooney.


Eu sou a lenda – Já disse que não ia com a cara do Will Smith, mas o enredo de Eu sou a lenda parece ser bem interessa: um cara, um carrão e um cachorro sozinhos no mundo. Não vi o filme, mas tenho esperança que também tenha sobrado uma gostosa para fazer companhia ao negão boa praça.


Joy Division – O documentário sobre a banda de Manchester e a morte de seu líder, Ian Curtis, ainda não deu as caras por aqui, mas no eixão já passou e pegou a carona do sucesso de Control.



MELHORES EM CASA



Sangue Negro – Mesmo com filme em plataforma de petróleo, Paul Thomas Anderson nunca pisa na bola.


Paranoid Park – Gus Van Sant voltando a fazer filme bom.


A fúria – Christian Slater encarnando o descontrolado de um Dia de Fúria.


Be kind rewind – Michel Goldry rodou uma comédia cheia de referências ao cinema pipocão com um Jack Black endiabrado.


Zona do crime – Película mexicana que se passa dentro de um condomínio de luxo ao lado de um favelão. Simpatizo com filme mexicano e esse superou as expectativas.


XXY – Filme meio argentino meio uruguaio sobre uma hermafrodita fogo na roupa. Bizarro, mas bom.



PIPOCA NO PONTO



Batman - O Cavaleiro das Trevas – Porra, não precisa mais comentar sobre esse filme, né?


Hancock – Super-herói doidão com um ar de Bukowski e politicamente incorreto. Achei que Will Smith colocaria tudo a perder, mas até que não.


O Homem de Ferro – Robert Downey Jr. é rei. Foi de Chaplin a Tony Starks com maestria.


REC – Terror espanhol divertido e na mesma fórmula de Bruxa de Blair. Altos sustos, gritos e mistérios. Outra coisa legal é que... repararam que agora no final fiquei com preguiça de escrever mais?



FILMES QUE NÃO DERAM VONTADE DE VER



O sonho de Cassandra – Li tanta coisa negativa que não bateu nem a curiosidade


Não estou lá – Curto o Bob Dylan, mas tenho receio da viadice do Todd Haynes.


Sweeney Todd – Tim Burton já encheu o saco, ainda mais musical.


The Incredible Hulk – Parece que é bom, mas o Hulk em computação gráfica é broxante.


Indiana Jones e o reino da caveira de cristal – Eu cresci e o Harrison Ford ficou velho. A magia se foi.



PIORES FILMES



Sex and the city – Tanto ódio me rendeu um texto que atraiu uma porrada de posts para o Placa na Cueca. Mulher feia novaiorquina pagando de fodona é deprimente. Kim Catral poderia salvar a carreira fazendo um pornozão.


Um beijo roubado – Arte demais e história de menos. Filmezinho chato e escorregada bonita do grande Wong Kar Wai.


Vicky Cristina Barcelona – Não pode entrar um filme do Woody Allen no cinema que todo mundo corre

pra assistir com opinião favorável antes de ver só porque é Woody Allen. Ele deveria voltar a fazer mais filmes encarnando o loser que o consagrou. Vicky Cristina Barcelona é filme pra mulherzinha.


Os Estranhos – Tinha tudo pra ser um terrorzão classe A se não fosse o final horroroso e gratuito.


Romance – Guel Arraes foi outro que me decepcionou. Imagina um filme global que é uma “homenagem” ao teatro? Sem dúvida, o pior filme brasileiro de 2008.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O problema são os escritores



Através do blog do Mário Bortoloto, cheguei ao piloto do programa “Saideira”, mais uma sacada legal do escritor pernambucano Marcelino Freire. Nele, Xico Sá é o mediador de um papo aberto sobre literatura. O programa, totalmente gravado na Mercearia São Pedro, em São Paulo, infelizmente não passou de um piloto – falar de literatura na TV é coisa de país desenvolvido. No primeiro bloco, o papo traz Reinaldo Moraes, Bortoloto e Sérgio Sant’Anna falando sobre a obra de Leminski.

No segundo, eles recebem a escritora Ivana Arruda Leite e o cantor Júnior Barreto (totalmente deslocado). Uma bela hora, a roda vida se vira para Sérgio Sant’Anna, que segue um dos diálogos mais loucos que pesquei no programa:


Xico Sá: Onde diabos estão os leitores?

Sérgio Sant’Anna: Ah, eu tendo uns quatro mil, pra mim ta bom.

Xico Sá: E porque que não cresce essa porra?

Sérgio Sant’Anna: Acho que está se escrevendo demais. Tem livros demais. Você chega numa livraria e ta todo mundo escrevendo.

Xico Sá: Mas você não acha isso saudável?

Sérgio: Não, não acho isso saudável... Acho saudável ler.



Saquem aí os três blocos do programa:


Bloco 1:




Bloco 2:




Bloco 3:


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O último banquinho de 2008




Hoje termina um dos projetos mais legais que a gente um dia pensou em colocar em prática: o show de calouros Banquinho & Distorção, criado pelo Randy em uma de nossas viagens etílicas. O primeiro foi em uma das festas da Se Rasgum, no Café com Arte, acho que no ano de 2006. Lá, disponibilizamos uma guitarra e um amp, e o caboco sentava e manda ver na versão dele. E podia de tudo, mas lá a moçada quis ficar só no indie, ia de Los Hermanos a Pavement.

Já no São Matheus a coisa melhorou. A galera que foi ao boteco São Matheus, nessa nossa retomada do “Banquinho...”, estava mais disposta à putada e se arrisca num Wando, Guns, Fagner e Bon Jovi. A gente se diverte porque é um show de humor, sendo que de vez em quando ainda aparece alguém realmente bom. No começo, o Randy era quem comandava o show e entrava totalmente no esquema, cantando, fazendo backing vocal, intimando a moçada. Depois que voltou para Portugal, Arturzão assumiu o comando do show de calouros junkies. Bom pra caralho o cara! Na verdade, tanto Artur como o Randy tem um talento incrível para stand up comedy, mas ainda bem que eles não se arriscaram nessa categoria que tenta surgir em Belém.

Bom, hoje é a despedida do projeto em 2008. Não sei ainda qual será sua seqüência na semana que vem, mas possivelmente vamos dar um tempo para não cansar um pouco o formato. Nada que garanta que algum espertinho de Belém “crie” algo idêntico para pegar carona nessa calda do cometa. O release e algumas fotos do Renato Reis abaixo.

Se tiver como, passa lá para ouvir eu e o mano Gustavo discotecando e os candidatos ao prêmio de melhor e pior da noite se esgoelando no palco.



Chamando pra bagaça:


Banquinho & Distorção- o último de 2008


De Fagner a Caetano, de Guns a Bon Jovi... o “Banquinho & Distorção” encerra sua temporada de 2008 nessa terça-feira, no São Matheus


Sua última chance de brilhar para ninguém! A Dançum Se Rasgum Produciones traz o último Banquinho & Distorção de 2008, na Terça Lado B do Boteco São Matheus. Para encerrar com chave de lata enferrujada a temporada de sucesso, o Banquinho & Distorção disponibilizará para seus calouros uma guitarra - além do tradicional violão para os mais comportados. Não perca sua última oportunidade de passar vexame, dançar mostrando a calcinha, mostrar seu mau gosto musical e sair premiado como o “pior da noite” - ou fazer tudo ao contrário e sair como o melhor.

No palco, o bom e velho Arturzão encoraja e acovarda os candidatos, provocando a rivalidade na platéia em busca do famigerado balde de cerveja como prêmio. No som, Damaso e Gustavo assumem as picapes antes e depois da sessão de vergonha alheia. Ensaie, toquei, tente, baixe cifra na internet e beba o suficiente para amanhecer na quarta-feira com uma bela ressaca moral.



SERVIÇO

“O último Banquinho & Distorção de 2008”, terça-feira (dia 16 de dezembro), no Boteco São Matheus (Pe. Eutíquio, 606). Ingressos: CINCO dinheiros.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Botas velhas penduradas na janela


As dez coisas que não fiz até os 30 anos. Algumas porque não tinha dinheiro, outras por falta de habilidade, mas a maioria por um golpe do destino. Boa parte delas são desejos que se perderam no caminho e agora já é tarde demais. Por outro lado fiz boas escolhas, que acabaram se aglomerando na minha história de vida, algumas com glórias, outras nem tanto.


O fato é que se eu pudesse, teria:


1 - Aprendido a tocar trompete.

2 - Morado no exterior quando adolescente.

3 - Minha própria loja de CDs.

4 - Transado com uma prima na puberdade.

5 – Transado no banheiro do colégio.

6 – Escutado Iron Maiden como todo adolescente.

7 – Um irmão mais velho pra me defender.

8 – Feito sucesso com uma banda de rock.

9 – Sido um escritor prodígio.

10 – Mais coragem para ter dado um beijo quando ela me olhou nos olhos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A vida aos 30


Dois trintões no MSN numa manhã vazia:

- Por isso que eu fico entre a cruz e a espada. A *Lucy, por outro lado, é um docinho, atenciosa e tem grana.
- Caralho, de olho na conta da mina?
- Na merda que eu tô...


* Nome fictício

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um é dos números o mais solitário

Tratores, colheitadeiras, serviços agrícolas e todo um universo que me causa arrepios. Quando estava frente a frente com um desses jovens empresários, que vem de regiões de peles alvas para encher o rabo de dinheiro no Pará, me senti perfeitamente como um alvo de mim mesmo. Estou quase virando o personagem que criei como narrador e semi-herói para o que intento ser meu primeiro romance: Iracundo, a história de um jornalista que não romantiza a profissão e vai levando a vida fazendo trabalhos desagradáveis e dignos de quem não tem a imprensa à sua serventia, até encher o saco, mandar todo mundo pro inferno e meter o pé na estrada.


Na semana passada, depois de um longo hiato sem dar as caras aqui nesse blog, aproveitei as três horas que separam Paragominas de Belém para refletir sobre o rumo que as coisas tomaram. É na estrada que vejo a verdade.


O hiato foi causado pelo trabalho, projetos paralelos e a nova namorada. Natural deixar algumas coisas pela metade quando as prioridades se embaralham novamente à sua frente na mesa.

Agora estou bem na metade, nos seis meses da idade de 30 anos. E começo a achar que daqui por diante meus passos em falsos serão cada vez mais escassos. Tenho pressa de acertar, mas corro atrás com cautela. Vendi meu carro para pagar o festival e criei a frase mais impactante de minha existência: “Estou jovem demais para me preocupar em ter um carro novo, mas velho demais para ter uma guitarra vagabunda”.



Fender Telecaster Custom Deluxe texmex



E de repente me toco de algumas coisas que fogem ao exagero de costumo que me referir a certas coisas. Sempre existe o melhor filme do mundo, a melhor banda, o melhor escritor. Acho que cheguei a algumas conclusões sobre quem sou eu e o que realmente acho:


- A música “Barcos” é a melhor da Legião Urbana.

- Não tenho paciência para Oscar Wilde.

- Magnólia é tão importante pra minha geração quanto Hair foi praquela.

- Jesus and Mary Chain é minha banda favorita.

- Minhas namoradas gostam do mesmo cinema e música que eu.

- Não sou do tipo doidão inconseqüente.

- Sou do tipo irritadão explosivo.

- A cada ano minha paciência para a raça humana diminui.

- Sexo é melhor que ecologia.

- Estou a caminho de uma gastrite

- Não consigo largar o vício por coca-cola.

- A estrada é o melhor lugar do mundo.



E com o tempo, mais certezas vão chegando e o tempo para revisar e editar meu livro vai se esvaindo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Top 4 de inutilidades

Faz tempo que não posto nada, daí vi esse e-mail-corrente com a finalidade de "conhecer melhor seu amigo" e resolvi me amostrar. Foda-se se você achou palha e já viu isso em outros blogs. Nem preciso dizer que o blog é meu e eu posto o que quiser, né? Não, não preciso, pode parecer hostil.



A real é que quando eu respondia ao Top 4 deu uma puta saudade disso aqui: Plaza Independencia - Montevideo


Quatro trabalhos que tive em minha vida:
1- Sonorização do shopping Doca Boulevard (programador)
2- Diário do Pará (repórter de cultura e editor de polícia)
3- Amazônia Jornal (editor)
4- CA No Media (redator)


Quatro lugares em que vivi:
1- Belém do Pará (PA)
2- Monte Dourado (PA)
3- Santos (SP)
4- Montevideo (Uruguai)


Programas de TV que assistia quando criança:
1- Hora do Capeta
2- Os Trapalhões
3- Spectroman
4- Primo Cruzado


Programas de TV que assisto:
1- Filmes da HBO
2- Sitcoms da Sony e Warner
3- 15 Minutos
4- Hermes e Renato


Quatro lugares que estive e voltaria:
1- Venezuela
2- Uruguai
3- Recife sempre
4- São Paulo sempre


Formas diferentes que me chamam:
1- Damaso
2- Damasom
3- Damasito
4- Damas


Quatro pessoas que te mandam e-mails todos os dias (ou quase):
1- Vladimir Cunha
2- Renée Chalu
3- Rafael Guedes
4- Marcel Arede


Quatro comidas favoritas:
1- Salgados de padaria
2- Sandubas de podrão
3- Comida chinesa
4- Pizza


Quatro lugares em que desejaria estar agora:
1- Na estrada em qualquer lugar do Brasil
2- Cidade do Mexico
3- Nova York
4- Berlim


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Música magneta e multiplicada


DJ Maluquinho no III Festival Se Rasgum hipnotizando multidões


“Tem que lançar logo ‘Eloa’ antes que a mídia venha com outro assunto”. Dormi com essa frase do Marquinhos, o DJ Maluquinho, proferida na mesa de bar que dividíamos com o DJ Dolores, Vlad e Godinho, que andam em vias de finalizar as gravações do documentário Brega S/A. Para mim, não existe conversa mais interessante do que discutir música pop ou periférica, ainda mais com quem a faz de maneiras completamente opostas, como Dolores e Maluquinho.


Enquanto Dolores captava o universo empresarial e criativo que Marquinhos despejava com propriedade na mesa, cagávamos de rir da próxima ousadia (que pra eles nem é tanta) de Maluquinho falando sobre o “Caso Eloa” e a música que fez em homenagem a ela. Sandra, mulher e dançarina de Marquinhos, complementava na cumplicidade em ar de veneração: “Ta muito bonita a música”. Ele disse que já tinha uma música chamada Nayara e achou de bom tom homenagear a grande vítima de um dos crimes passionais mais chocantes dos últimos anos no Brasil. Homenagem, oportunismo ou simplesmente falar a coisa certa na hora certa para o povão?


O universo technobrega e o funcionamento do seu mercado é algo que me seduz pela auto-suficiência e pelo tino empresarial. Marquinhos o faz com tanta maestria que deixa todo mundo na mesa parecendo aluno interessado numa aula bacana. Nós, meros expectadores. Marquinhos, um cara inteligente que corre atrás do que é seu e defende incrivelmente bem. Dolores é o talentoso, criativo e antenado com o que está acontecendo na música brasileira.


Música Magneta - Hélder Aragão, o DJ Dolores, veio a Belém para ensaiar com Mestre Vieira, Pio Lobato, Guilherme e Vovô (os três último da saudosa Cravo Carbono) o projeto Música Magneta, e trouxe na bagagem o músico Yuri Queiroga, para incrementar as apresentações com sintetizadores e moogs modernosos, além de uma forcinha na terceira guitarra. Para essa apresentação, Dolores pediu que o show fosse testado com o público e Marcel Arede, produtor eficiente e articulado – e cover do Salsinha, armou o show no Teatro Waldemar Henrique, que reuniu cerca de 50 felizardos que puderam conferir o show que terá uma hora de apresentação na Marina da Glória, neste final de semana, no Tim Festival.


Dolores empresta batidas de reggaeton, música balcânica, africana e o diabo a quatro para os arranjos de guitarrada feitos por Pio e Vieira. A versão de Das model, do Kraftwerk, que já recebeu uma versão de technobrega em português, foi, para mim, o brilho da apresentação. É para aquele momento em que todos já estão balançando no swing da guitarrada e, de repente, toca o clássico do grupo alemão. Aquela história de que o que era bom ficou melhor ainda.


O irmãozinho Jorge Palmquist tava do meu lado vendo o show e falou: “Isso aí ta pronto para ir e não voltar mais pra cá”. Ele estava certo, mas infelizmente nem todo gênio tem a manha de ser um bom produtor e saber se vender. É o que nos falta para ser a nova Recife ou receber a mesma atenção que Porto Alegre no começo dos anos 2000.


Na noite de quinta-feira, 23 de outubro de 2008, dois cabras danados sentaram na mesma mesa que curiosos ouviam atento suas observações sobre o mercado fonográfico, suas fugas e alternativas. Ali havia genialidade compartilhada com iniciativa. E, de repente, são destes acasos que saem novos sopros de esperança para a música brasileira de periferia.