quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Esqueci "À deriva"





 
Bem que a Martina falou






Adoro lista, mas odeio as injustiças que são cometidas por elas. Toda vez que estou relembrando e escrevendo-as sei que mais tarde vou deixar de fora alguma música, livro, disco ou filme importante. Foi o que aconteceu com o longa brasileiro À deriva. Quando passou no cinema, acabei não indo porque estava em crise no namoro e, por tudo o que havia lido sobre esse filme, seria um crime não vê-lo com a minha namorada.

À deriva não somente é um dos melhores filmes de 2009, como um dos melhores dos últimos 10 anos de cinema brasileiro. Todo o exagero da declaração pode ser descontado pela existência de uma lista que está encabeçada por Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, que abraçou o filme com sua produtora, a 02 Filmes.

De tudo o que haviam falado do filme, eu só sabia da escolha da atriz Laura Neiva pelo orkut (um presente para o cinema brasileiro, tomara que ela não se perca na Rede Globo), da participação de Vincent Cassel como um dos protagonistas e que o diretor Heitor Dhalia era um dos novos caras do cinema brasileiro a se prestar atenção – ele hoje em dia é como o Beto Brant de 10 anos atrás, só que menos carniceiro e, digamos, mais “europeu”.

Nunca assisti a um filme que falasse de uma separação de casal de forma tão natural e próxima da minha realidade. O filme se passa no começo dos anos 80 no litoral carioca, onde Vincent Cassel interpreta um escritor francês que vai passar as férias na casa de praia com sua esposa e os três filhos. E como um presente divino, que devia iluminar cada frame que se passava pela cabeça de Dhalia, o roteiro é cheio de pequenas surpresas, de pedaços de vida, de inserções de uma compreensão absurda de como se fazer um filme brasileiro de bom gosto sem cair em clichês. No making off, o diretor diz que o roteiro foi quase intuitivo. Por mais estranho que isso possa parecer, assistindo ao filme dá para entender o que ele quis dizer.

Nina, uma adaptação de Crime e Castigo, de Dostoievski, feita por Marçal Aquino, foi sua estréia no cinema. Depois teve O cheiro do ralo, que dividiu opiniões entre os chatos que não gostaram e os espertos que acharam sensacional. 

À deriva não é uma nova maneira de se fazer cinema brasileiro (na boa, eu curto muito os primeiros passos do Walter Salles), mas é um sopro de inspiração que a gente precisava.



p.s: Fui roubado, levaram meu notebook com todos os meus arquivos, matérias e textos que acumulei por mais de três anos, músicas, arquivos de trabalho etc. Tive que pegar um computador emprestado na madrugada depois de assistir ao filme. Era uma situação de emergência.


3 comentários:

Priscilla Brasil disse...

EGUA, NAO ACREDITO, ESSE FILME É MUITO RUIM! É UMA MERDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
:):)

Marcelo Damaso disse...

Cuidado com o ego de cineasta, Pri.

Saudades de ti, sua escrota.

Priscilla Brasil disse...

no dia em que a gente concordar sobre o filme, o mundo acaba :P