domingo, 12 de dezembro de 2010

A canção que vai ficar


 
Entrando na van que me deixaria no aeroporto, na porta do hotel em Belo Horizonte, uma adolescente se aproxima e pergunta para uma das pessoas que estava comigo no carro se nós éramos da produção da banda Cine, que estava hospedada no mesmo hotel. Ali, pensando em milhões de piadas para ganhar a simpatia do grupo da van e deixar meu emblema sagaz na inocência juvenil mineira, me distraí analisando a situação como algo completamente distante do meu universo: o fanatismo.

Banda Cine: orgulho de não gostar sem ter escutado uma música
 
No meu meio musical existem artistas médios, ligeiramente famosos e mais cultuados do que abençoados pela massa. Em Belo Horizonte, na Feira Música Brasil 2010 (de onde acabo de voltar), produtores, selos, artistas, instituições e gestores de programas culturais se encontraram para discutir soluções, propor estratégias, se conhecer e ampliar seu network. E ali, naquela mesma cidade, simultâneo à FMB, cinco garotos paulistanos com roupas emprestadas do Tiririca levavam, numa noite qualquer, toneladas de garotinhas que fazem parte de um nicho que eu simplesmente esqueci que existia.

Os fenômenos da música pop dos dias de hoje estão completamente distantes do que já foi nas décadas passadas (começando no auge da beatlemania 60’s) e nunca pensei que estariam tão afastados do meu circuito de trabalho. O fato de não esperar um sopro do destino e trabalhar por uma música mais real e honesta torna o empenho de uma pessoa envolvida nessa cadeia da música muito maior. E por mais que o cansaço nos faça pensar direito em seguir adiante, é justamente quando vemos estourar um produto massificado por empresários viciados no meio musical que sabemos que alguma coisa precisa ser feita.

E aí vem a porra do rótulo de “Música Alternativa”. Aceitaria como categoria se bandas como Cine e Restart entrassem no estilo de “Música Passageira” ou “Banda Efêmera”. Ainda mais depois de um final de semana de shows  inesquecíveis como Tulipa Ruiz, B Negão e os Seletores de Freqüência, Mestres da Guitarrada, Babilak Bah, Lucas Santanna (que fez o melhor show da Feira Música Brasil 2010) e Otto (que recebeu no palco Lirinha, Bebel Gilberto e Elza Soares, comprovando que este foi definitivamente seu grande ano). E nesse caminho, o que prevalece ainda é a canção, só ela, sem fanatismo e histeria.

E no meio da troca de materiais, um rapaz de trejeitos afeminados me entregou um envelope azul com um CD gravado, uma foto em A4 com um release mal escrito. A primeira referência que me deu é que sua banda já havia sido a atração de abertura de shows dos multicoloridos Restart e Cine. E eu falei “ah, é nesse nível é?”. E ele deu uma leve surtada e disse “ah, meu, o que é cultura hoje em dia? Porque Caetano é cultura e Restart não é?”. Dei duas tragadas no cigarro, balancei a cabeça e não consegui emitir um ruído depois daquela indagação sobrenatural. Por mais que eu tivesse um milhão de argumentos , era um embate desnecessário e fora de contexto. E eu não estou mais nesse mundo pra isso.


E Lucas Santanna ainda chama Pio Lobato para participar de seu show
               
 

2 comentários:

Marcelio Leal disse...

Acho duca Lucas Santtana. Vi ele no música de bolso e paguei.

Já viste as versões ele fez pro o vídeocast música de bolso ?

A selecao de shows lá foi duca tb

Benjamin Jones disse...

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