quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O caminho é longo mas não tenho pressa


“Eu preferia ir dormir. Esses festejos não significam nada pra mim, isso é só imposição do comércio”. Com a mesma ladainha de sempre, meu pai justificava uma tentativa desajeitada de cair dentro de um compromisso social. Estava com ele no carro seguindo para a casa de uma tia para nos despedirmos do ano de 2008. A conversa era sempre a mesma, o que me fez achar que estamos todos velhos. Mas aquele não era apenas mais um ano se passando, e sim o incrível ano de 2008.


O romper de ano traz alguma carga melancólica que sempre se disfarça entre marchinhas de carnaval e fogos de artifício. Mas esse foi de comemoração. Aquela coisa de “o primeiro ano dos restos de nossas vidas”, de ter certas convicções que seguirão com a gente rumo ao túmulo.


A passagem de ano dessa vez me marcou, vi ficando para trás um 2008 em que, além de ter completado os famigerados 30 anos, dei uma sacudida nas coisas e consegui virar o leme e mudar o rumo do barco. Larguei a vida de redação de jornal, tive a experiência de ficar uns meses escrevendo no exterior, voltei trabalhando num lugar mais tranqüilo, emagreci e engordei, terminei um namoro longo e continuei amigo (provando um certo amadurecimento, porque não?) e me apaixonei logo em seguida. O ano não poderia ter fechado de forma melhor.


Tudo isso sem contar o tremendo tapa que levei com essa história de Festival Se Rasgum. Tapa pra espetar, pra mostrar que o caminho é esse. Foi o festival que nos deixou mais satisfeitos e mais quebrados. Vendi meu carro sem remorsos para bancar um sonho acreditando que é esse tipo de ideologia que falta à minha geração. Não que eu me ache um exemplo a ser seguido, pelo contrário, mas talvez se a repressão que me cercasse fosse a de 64, eu teria sido um dos que tascou um coquetel molotov na moleira dos militares.


1978 a 2009. O passar dos anos se acumulando em minha história de vida com o peso de uma verdade se aproximando. As metas e falsas promessas para o ano novo já driblo como um craque, mas sempre bate a esperança de que alguma coisa mude, que o cigarro diminua, que se tome gosto por atividade física, que se leia mais livros do que antes, que finalmente monte uma banda. Como diria Kid Vinil, “eu vou chegar lá nem que seja na honestidade”.


A vitória não é a estabilidade econômica, carro e casa própria, mas a certeza de que as coisas boas continuem e as meia-boca dêem lugar a outras melhores. A gente sabe como fazer isso e nem precisa de champagne para brindar.


Um comentário:

Julieta Abiusi disse...

"Mejor caminar que llegar"
Um brinde às novas andanças literarias, reais e irreais. Feliz 2009!