domingo, 17 de maio de 2009

Um Chinasky endinheirado em São Paulo

Desaparecido há mais de 17 horas em São Paulo, tudo o que ele tinha era uma bela quantia em dinheiro na carteira. Tudo para gastar com bebida. A família já havia ligado para o IML, polícia e hospitais atrás de alguma notícia. Aquilo não era novidade, de vez em quando ele fazia a mesma coisa: saia para beber sem avisar a ninguém. Os escândalos já não eram mais novidades e as histórias, de tão tristes, acabaram se tornando engraçadas.


Já se passava das 4h da madrugada e nenhuma notícia. Os seguranças então passaram a fazer uma ronda em uma das Land Rovers da família. Foram em todos os possíveis bares que ele freqüentava e nada. O dia amanheceu e quem não se conformou mais com o sumiço foi a esposa, que entrou em seu carro – um desses importados que proletariados como eu e você sequer sabemos o nome – e passou a procurá-lo também pela região de Jardins e arredores.


Às 13h, então, uma amiga da família o viu e ligou para a esposa dizendo que ele estava em uma lanchonete conhecida na travessa Joaquim Eugênio de Lima. Ela acionou os seguranças e todos partiram para lá. E lá estava ele. Camiseta preta, calça esporte com muitos bolsos, sentado e quieto em uma mesa com uma latinha de cerveja na mão. Poderia ter aprontado todas e agora já não tinha mais fôlego para nenhuma onda. Ou poderia ter silenciado a euforia de dar um chute no pau da barraca e estar bebendo até não poder mais.


Os seguranças, devidamente trajados de homens de preto, o levaram com todo o cuidado, com o cuidado de uma mãe que troca a fralda de uma criança recém-nascida. Cada um o pegou por um lado, abriram a porta e o colocaram dentro do carrão da esposa. A esposa não falou nada e os seguranças ainda carregavam no semblante traços de constrangimento da cena de resgate deprê na lanchonete. Ao entrar no carro ele só fez um pedido à esposa: “me deixa ir com a latinha, tá?”. Ele era o rico. Ela só teve que agüentar.


N. do R.: Dedução baseada em fato real.