segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ah porra, é só o verão...


Eu até ia escrever sobre o verão, mas aí adoeci. Cantei a bola a semana inteira no trabalho, “vou adoecer bem no final de semana”. E logo nesse, que teve três dias pra mim (chefia liberou na sexta-feira), passei minhas horas de folga enfermo, alternando meu quase-cadáver sob a colcha que cobre a poltrona encardida do quarto, o lençol que meu amor adora tirar do colchão e a poltrona da sala.

Eu e minha gata doentões. Nessas horas a gente vê que o que padece é o amor e se enche de cuidados, chamegos e mão na testa vendo se a febre baixou. Gripe suína, não foi dessa vez, motherfucker! Mas a gente ainda pode se cruzar por aí nesse vai-e-vem de ar mal respirado.

Produtos como sucos, remédios, Halls, Mentos (sou fã de todos os produtos da Mentos), mel, própolis, comédias, Marisa Tomei e GTA San Andreas poderiam ser companhias perfeitas para uma pessoa doente. Mas nessas horas tudo o que se quer é dormir e não prestar atenção em nada. Olhe o céu, meu bem, olhe o céu.

E quando se resolve ir ao hospital é só para se deparar com a condição miserável dos outros e se achar um bosta. O que é uma gripe com uma tosse que dói toda a cabeça quando se tem uma senhora sangrando após uma queda, uma criança de 4 anos quase desmaiada e uma mulher que precisou de toda a equipe do hospital para uma sessão de reanimação. Não dava nem para reclamar da minha espera de uma hora e 26 minutos com apenas dois pacientes na minha frente. Felizmente o médico era boa gente. Primeiro médico gente boa dali. Aliás, ô hospitalzinho vagabundo essa Beneficiente Portuguesa! Lembro que uma vez, numa bela tarde de domingo, voltei lá para pedir que eles entrassem em contato com médica* que havia me atendido na manhã anterior, para ela dar novamente a receita que eu havia perdido. Nada feito. Não teve educação no mundo que os fizesse ligar para ela e pedir o nome de um remédio. Sai mandando todo mundo tomar no cu em alto e médio tom (tava fudido da garganta de novo). Tá certo que só tinha um casal na sala de espera, mas eu fiquei um bom tempo sem voltar lá com vergonha. É, esse sou eu, armo cagada mas me fodo de vergonha.

E hoje, terça-feira, completo cinco dias de molho! Espero que até o final dessa semana eu olhe pro céu, veja o quanto a tarde está linda e me ponha a falar do verão.



*Essa médica vale uma nota de rodapé. Jovem e elegante, a filha da puta me tratou como se eu tivesse 13 anos. “E você sabe que é feio fumar e beber né, Marcelo?”, “vai tomar esse remedinho e ficar em casa repousando, bem comportadinho, viu?”, “nada de refrigerante gelado por hoje, tá bom? Você vai ficar bonzinho logo logo”. Juro que balançava a cabeça e por debaixo da mesa, seguindo a dica do Allan Sieber, mandando ela às merda sem ela saber com um cotocão armado.



Aliás, a tira do Sieber:



3 comentários:

Praguejento disse...

Acompanho seu blog, muito foda a dica do dedinho.

ruminamentos disse...

A beneficiente portuguesa me faz lembrar o quanto é fácil mandar alguém tomar no cú. Lá é o lugar ideal para isso.

Marcelo Damaso disse...

Podemos fazer uma campanha regional para todo mundo mandar a Beneficiente Portuguesa tomar no cu. Uma mobilização em prol da liberdade de mandar o sistema de saúde privado à merda - mesmo que seja com um cotoquinho por baixo da mesa.