terça-feira, 17 de junho de 2008

Mama i’m coming home



Pernas cansadas. Memória carregada a ponto de um back up. Lembranças boas e poucas lágrimas derramadas. Me dei a moral de virar adulto. Espanhol exercitado em função do “se vira nos 30”. Agora volto para casa para encarar a quarta década de uma vida marcada pelo impulso calculado. Esse sou: o mochileiro amamãezado. Chutei para cima o que não poderia ficar como estava, e os arrependimentos desceram na mesma leva, com a descarga de emoções antigas, amores vencidos, estresse tira-barba e sonhos que me deixavam para trás.

Comemorei os 30 anos longe de casa, vivendo a realidade de uma estrada cheia de amigos e experiências que desceram a goela na velocidade de uma talagada de tequila; arrematando 10 anos em três meses, ao som das rápidas palhetadas do Brasileirinho, mixando com o tico-tico cá e o tchá-tchá-tchá de lá.

Apesar de estar esquecendo a sensação de ter uma casa, cada parada dos últimos meses foi uma injeção para encarar a nova vida. Sentindo na pele a confusão cultural brasileira, comparando as regras com o exterior e relativizando a realidade através da vida dos outros, reposicionei meu olhar sobre a vida. Somos produto do meio, é verdade, e isso não se muda com revolução. Ixi, já estou me fazendo de difícil. Peraí, vou retomar a linha no próximo parágrafo.

Mamãe, não espere o mesmo cara de sempre. No taxi que me conduzia para o nono e último embarque dos últimos meses, o gaúcho do volante soltou: “É preciso se permitir algumas coisas assim na vida, depois a gente fica com filhos, casado e, quando percebe, viu que a vida se tornou uma mera passagem.”. Tô floreando o discurso do cara para enriquecer a história, mas ele foi apenas mais um dos que vi reclamando por nunca ter dando chance aos impulsos e a vontade de viver a vida sem os pudores impostos pelas obrigações diárias. Temos contas a pagar, mas temos um mundo pra viver, e se nada for feito, a vida vai passar por você feito um guardanapo que cai na cozinha sem estrondo.

Não seja rico, seja vivo.

3 comentários:

Luana disse...

O melhor texto que li aqui.
Vem logo aqui em sp novamente, damassom...
gosto-te aos bocados.
Bom retorno...(deve ser bom retornar, tb...por enquanto eu só quero retornar pra matar saudades, recarregar as bateras e voltar pra cá..)
Beijoooooos. ;)

Fabíola disse...

seja bem chegado! Fabíola

Maurício disse...

muuuito bom o texto, marcelo!